Instituto de Pesquisa em Neurociência será criado em 2005

Por Gerson Monteiro

Descentralizar a pesquisa científica e transformá-la em instrumento de inclusão social e desenvolvimento econômico. Esta será uma das finalidades do Instituto Internacional de Pesquisa em Neurociência, que será construído na cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte.

Um dos idealizadores do centro, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis se reuniu essa semana com o ministro da Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos, para discutir a criação do centro, que deve ser iniciada em janeiro de 2005.

“O Instituto de Neurociências é muito importante para o Brasil por tudo o que representa na fronteira do conhecimento, para se compreender o funcionamento do cérebro, que é o comando do corpo humano. Natal foi escolhida pelo professor Nicolelis porque ele entendeu que o centro deve ser construído no Nordeste brasileiro, na área mais pobre do Brasil. Ele acredita que esses instrumentos e tecnologias representarão uma contribuição para a recuperação econômica e para a redução das desigualdades”, explica o ministro Eduardo Campos.

Em 2003, o governo federal investiu R$ 1 milhão e, para 2005, estão previstos investimentos de mais R$ 1 milhão. Além de recursos do governo, o ministério da Ciência e Tecnologia, junto com o professor Nicolelis, quer captar recursos de fundos externos.

“Eu faço uma ponte-área Estados Unidos – Brasil tentando levantar apoio. Eu estou levando este projeto para o mundo. É um sucesso muito grande porque o mundo inteiro está olhando para o Brasil como um potencial novo e participante da comunidade internacional de pesquisa em projetos ousados como este. É muito importante que o Brasil internacionalize a sua produção científica e passe a ser considerado um dos grandes centros de pesquisa do mundo”, declara o neurocientista.

O cientista acredita que o centro será um pólo de referência nacional de pesquisas científicas e de inclusão social.

“O Brasil vai ter um centro de pesquisa de ponta e, ao mesmo tempo, vai começar a desenvolver um modelo de atuação de pesquisa que não existe em nenhum país do mundo. No qual a ciência atua como um agente catalisador de desenvolvimento social de uma comunidade. Este instituto de pesquisa vai ser um catalisador de ações educacionais, médicas, sociais, culturais e esportivas. Nós vamos criar um centro comunitário para toda a população de Macaíba. Ele será um novo pólo de excelência em múltiplas áreas”, disse.

Além do elemento social, a capital do Rio Grande do Norte foi escolhida pelo fato de já existir um núcleo de neurociência com cientistas trabalhando na região. O instituto será construído em um terreno doado, que fica próximo à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A primeira etapa da construção, que envolve a edificação dos laboratórios e do plano arquitetônico deve ser concluída no ano que vem.

“Toda a obra social que envolve este centro de pesquisa terá um impacto muito grande na comunidade de Macaíba, que é a cidadezinha na periferia de Natal onde nós construiremos o campus”, esclarece Nicolelis.

Além de Nicolelis, o projeto do Instituto Internacional de Pesquisa em Neurociência foi idealizado pelos pesquisadores brasileiros que também vivem nos Estados Unidos, Sidarta Ribeiro da Universidade de Duke e Cláudio Mello, da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon.

Fonte: Portal Terra

Compartilhe esse conteúdo

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn